Medo - do latim Medus, significa estado emocional resultante da consciência de perigo ou ameaça; ausência de coragem; preocupação com determinado fato. O tão temido medo. Em dicionários, a definição é clara. Na nossa consciência, não. Quando estamos com medo, a sensação que sentimos foge do nosso controle e sua definição não é tão fácil.
Cada um tem seu medo: medo de altura, do fundo do mar, de palhaços, de fatos sobrenaturais, da morte, da vida, enfim, são dos mais diversos gêneros.
Quando estamos prestes a enfrentar aquilo que consideramos o monstro de sete cabeças - geralmente enfrentamos quando somos obrigados a fazê-lo - esse monstro cria pelo menos umas vinte cabeças a mais. Tudo fica distorcido e a visão de mundo parece não fazer sentido. O medo se transforma em pânico. O pânico nos toma por completo e, por fim, o medo toma a nossa consciência. Nessa altura, já são diversos monstros com milhares de cabeças.
É chegado a fatídica hora. Vamos lutar cara a cara com aquele medo mesquinho. Na hora, mesmo com a mão tremendo, uma súbita vontade sobe pelo nosso corpo. Ela quer falar, ou melhor, quer gritar tanta coisa com o medo.
Agora, somos eu e o medo no ringue de luta. Eu ganho o primeiro soco, direto no rosto. Dói, é claro, mas é necessário. É hora de acordar. Com meus braços, empurro o medo direto para o chão. Coitado. Depois disso, ele apanhou. Muito. Tive pena dele, mas era necessário. No final, sobrou eu. Apenas.
Depois de toda essa luta intensamente louca, meu olhos abrem. Percebo que o medo passou. O que eu mais temia não era tão monstruoso assim.
Fiz cena, fiquei maluca. Por coisa boba. Fantasiei o medo de uma forma tão imensa que, quando me dei conta e comecei a usar a razão, percebi que a tempestade foi apenas em um copo d'água.
Sobre os medos: enfrente-os com toda a garra possível e, siga meu melhor conselho, não se precipite com eles.

